Mitos brasileiros: Boitatá

Boitatá


Também chamada de batatão, bitatá, batatá, baitatá, biatatá, Jean de la foice ou Jean Delafosse. Boitatá, cobra, ou então, o agente, a coisa; tatá, fogo. A cobra de fogo, a coisa de fogo.

Segundo Luís da Câmara Cascudo é o primeiro mito a ser registrado no Brasil. Foi o padre José de Anchieta quem o referiu pela primeira vez, na Carta de São Vicente, datada de 31 de maio de 1560, como "um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os..."

Uma serpente de fogo, saltitante. Para muitos é uma alma penada. É mito que ocorre em todas as regiões do Brasil e o correspondente ao fogo-fátuo europeu. Alguns acreditam-na uma espécie de defensora das matas, outros, o resultado de uma união sacrílega. Dizem que o viajante, ao encontrá-la, deve fechar os olhos e permanecer parado, imóvel, então ela desaparecerá. Caso contrário, a Boitatá o perseguirá, infernizando-o até matá-lo.

Fonte:
Anchieta, José de. Carta de São Vicente (X), em Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões, v.3 das Cartas jesuíticas. Rio de Janeiro, Civilização brasileira, 1933, p.128

• Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954 | 9ª edição: Rio de Janeiro, Ediouro, sd | Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.143-147


Foto: Marcos Jardim Fernandes
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Os mitos brasileiros são inúmeros, influenciados diretamente pela miscigenação na origem do povo brasileiro.

Devemos levar em conta que um mito não significa uma mentira, nem tão pouco uma verdade absoluta, o que devemos considerar é que uma história para ser defendida. Por ter sobrevivido na memória das pessoas, ela deve ter no mínimo uma parcela de fatos verídicos.