Mitos brasileiros: Caboclo-d'água

Caboclo-d'água



O caboclo-d'água, também chamado negro-d'água e bicho-d'água, é um dos mitos aquáticos mais populares na região do vale do rio São Francisco. Ninguém sabe de onde surgiu. Vive nas barrancas e alagadiços. Segundo as descrições mais comuns, é baixo, troncudo, musculoso, muito forte, tem a pele cor de bronze e um só olho no meio da testa. Apesar de seu tipo físico, movimenta-se de forma muito rápida e ágil. Às vezes sai do rio e caminha pela terra, geralmente para praticar alguma vingança ou fazer algum favor, mas nunca se afasta muito das margens. Para muitos, é um só e possui poderes para estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Dizem que possui o temperamento enfezado e não nutre grandes simpatias para com os pescadores e remeiros. Agarra o fundo das canoas e barcos, balançando-os até os virar ou encalhando-os. Seu corpo é à prova de balas. Para evitar encontrá-lo, deve-se fincar uma faca no fundo da embarcação. Porém, se for bem tratado, o caboclo torna-se benfazejo, ajudando nas pescarias e evitando enchentes. Para agradá-lo, basta oferecer-lhe fumo.

Fonte:
Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954 | 9ª edição: Rio de Janeiro, Ediouro, sd


Foto: Marcos Jardim Fernandes
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Os mitos brasileiros são inúmeros, influenciados diretamente pela miscigenação na origem do povo brasileiro.

Devemos levar em conta que um mito não significa uma mentira, nem tão pouco uma verdade absoluta, o que devemos considerar é que uma história para ser defendida. Por ter sobrevivido na memória das pessoas, ela deve ter no mínimo uma parcela de fatos verídicos.