Mitos brasileiros: Quibungo

Quibungo


É uma espécie de monstro, meio homem, meio bicho. Tem a cabeça enorme e um grande buraco no meio das costas, que se abre e fecha conforme ele abaixe e levante a cabeça. Come pessoas, especialmente crianças e mulheres, abrindo o buraco e atirando-as dentro dele.

O quibungo, também chamado kibungo ou chibungo, é mito de origem africana que chegou ao Brasil através dos bantus e se fixou no estado da Bahia. Suas histórias sempre surgem em um conto romanceado, com trechos cantados, como é comum na literatura oral da África. Em Angola e Congo, quibungo significa "lobo".

Curiosamente, segundo as observações de Basílio de Magalhães, as histórias do quibungo não acompanharam o deslocamento do elemento bantu no território brasileiro, ocorrendo exclusivamente em terras baianas. Para Luís da Câmara Cascudo, apesar da influência africana ser determinante, "parece que o quibungo, figura de tradições africanas, elemento de contos negros, teve entre nós outros atributos e aprendeu novas atividades".

Extremamente voraz e feio, não possui grande inteligência ou esperteza. Também é muito vulnerável e pode ser morto facilmente a tiro, facada, paulada ou qualquer outra arma. Covarde e medroso, morre gritando, apavorado, de forma quase inocente.

Fonte:
Barroso, Gustavo. As colunas do templo. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira Editora, 1932, p.64


Foto: Marcos Jardim Fernandes
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Os mitos brasileiros são inúmeros, influenciados diretamente pela miscigenação na origem do povo brasileiro.

Devemos levar em conta que um mito não significa uma mentira, nem tão pouco uma verdade absoluta, o que devemos considerar é que uma história para ser defendida. Por ter sobrevivido na memória das pessoas, ela deve ter no mínimo uma parcela de fatos verídicos.